Senhor dos anéis – A sociedade do anel

Nesta primeira etapa Tolkien apresenta a vida simples dos Hobbits, indicando que, mais uma vez, o “acaso” do destino colocará um bolseiro numa jornada difícil. A herança que Bilbo trouxe para o condado parece estar querendo voltar ao seu verdadeiro dono. O mundo está ficando deveras estranho. Orques estão sendo vistos em lugares que, há muito, não era comum de vê-los.

Frodo, sobrinho de Bilbo terá que sair de sua vida cômoda portando o perigoso instrumento. Com ele vão Sam Gamgi, Pippin e Merry. Após uma saída difícil, e ser caçado por um Nazgul, chegam à estalagem do Pônei Saltitante. Conhecem Aragorn, que então passa a lhes fazer companhia. Viveram mais algumas aventuras e, com dificuldade, chegaram a Valfenda, liderada por Elrond. Tinham a esperança de deixar o objeto ali. Porém tal pretensão foi rechaçada, pois atrairiam o poder sombrio, e, nem mesmo eles, conseguiriam resistir. Então, após convidar representantes dos anões, homens, elfos, Gandalf e o hobbit, tomam a decisão de que Frodo continuaria sendo o portador do Anel, porém a comitiva o seguiriam ajudando-o e protegendo-o na difícil empreitada.

A narrativa, daqui em diante, prossegue descrevendo a trajetória deles, os caminhos que decidem trilhar, a passagem pelas minas de Moria, as passagens difíceis pelas florestas, bem como a marcante passagem por Lothlorien, governada por Galadriel e Celeborn. Ao saírem de lá sentem-se indecisos de qual caminho realmente trilhar e Frodo tem que tomar uma difícil decisão, que a põe em prática ao final desse primeiro livro.

A obra é simplesmente maravilhosa, possui descrições incrivelmente realistas. É como se realmente estivéssemos assistindo. Os personagens são muito vívidos, alguns bem caricaturais, mas todos guardam sua complexidade, decorrente de seus dilemas interiores. Seus anseios e seus medos. Gandalf, em algumas horas, parece saber exatamente o que está fazendo, mas em outros momentos parece ser guiado apenas pela esperança.

Ah a Esperança; esta é talvez um dos principais temas deste livro. A todo tempo somos confrontados com situações que parecem que irão pôr tudo a perder, mas algo acontece e faz nasce novamente a chama. Há momentos que a esperança se agita em seu coração [Frodo] e, logo em seguida, o autor nos quebra com “toda esperança o abandonou”. Como a esperança nos move e nos mantém vivos. A esperança de dias melhores nos conduz para a coragem, para sairmos de nosso conforto. Todos os membros da comitiva estavam inseguros, um pouco apavorados e perdidos, mas todos nutriam uma esperança. Não sabiam exatamente como iriam fazer, mas a chama da esperança aquecia-lhes o coração. Quando Frodo toma a decisão final, é a esperança que lhe move e é ela que faz os demais deixá-los seguir o seu caminho.

Mas em confronto com a esperança tem-se a constante ameaça do mal. O mal de fora que pode mover suas forças para comprometer todos os seus planos  e destruir a vida livre. Mas também o mal interior que, sem vigilância, pode corroer as virtudes. O anel atrai Sauron, mas também atrai o mal interior nos personagens, move as partes mais baixas sobretudo do orgulho e do desejo de poder. Não à toa está lhe inscrito “Um Anel que a todos rege, Um Anel para achá-los, Um Anel que a todos traz, para na escuridão atá-los”.

É um simbolismo perfeito para nossas vidas, pois vivemos o dilema permanentemente. Deixarmo-nos levar pelo orgulho, desejo de poder, de honrarias, ou simplesmente seguir nossa caminhada com coragem fazendo aquilo que é o nosso dever, nutrido pela chama da esperança.

É isto.


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